Comunicação Coordenada

22/11/2022 - 13:10 - 14:40
CC13.13 - POPULAÇÃO LGBTQIA+, CUIDADO E DIREITOS HUMANOS NA SAÚDE – 3

42959 - QUANDO A DOR DOMINA A VIDA: IDEAÇÃO SUICIDA EM POPULAÇÕES URBANAS – ANÁLISE DE DISTRIBUIÇÃO POR GÊNERO, GERAÇÃO E RAÇA/COR DA PELE
MACIEL ALVES DE MOURA - UEFS, PALOMA DE SOUSA PINHO FREITAS - UEFS, JULES RAMON BRITO TEIXEIRA - UEFS, TARCISO DE FIGUEIREDO PALMA - UEFS, ARIANE CEDRAZ MORAIS - UEFS, NATÁLIA DO CARMO ARAÚJO - UEFS, TÂNIA MARIA DE ARAÚJO - UEFS


Apresentação/Introdução
Dados recentes destacam tendência crescente das taxas de suicídio. A ideação suicida (IS) é um bom marcador de identificação de risco para o suicídio efetivo. Gênero, geração e raça/cor da pele são fatores estruturantes desses eventos. Identificar grupos populacionais mais vulnerabilizados para IS é essencial para o desenvolvimento de intervenções e políticas preventivas no campo da saúde mental.

Objetivos
Estimar a prevalência de ideação suicida em populações urbanas de Feira de Santana, Bahia, Brasil, identificando diferenciais de gênero, idade e raça/cor da pele.

Metodologia
Estudo transversal (N=4.170), realizado com dados da segunda onda da coorte prospectiva “Vigilância em saúde mental e trabalho: uma coorte da população de Feira de Santana-BA” coordenada pelo Núcleo de Epidemiologia da Universidade Estadual de Feira de Santana. Para avaliação da ideação suicida utilizou-se o item 17 da escala Self-Reporting Questionnaire: “Você tem tido a ideia de acabar com a vida?” (4.160 respondentes). Foi estimada a prevalência geral de ideação suicida e segundo estratos de gênero, idade e raça/cor da pele. Para a análise bivariada, empregou-se o Teste Qui-quadrado de Pearson com significância de 5%.

Resultados
A prevalência de IS foi 6,5% (n=270). Maiores prevalências foram observadas em mulheres (7,6%; n=209) comparadas aos homens (4,5%; n=61) (p<0,001); adolescentes (10,2%; n=31), adultos jovens (8,2%; n=39) e adultos (6,6%; n=152) comparados aos idosos (4,4%; n=47) (p=0,001); negros(as) (6,9%; n=224) em relação a não negros(as) (6,0%; n=41) (p=0,418). Nos homens, predominou em adolescentes (9,3%; n=12; p=0,030) e negros (4,5%; n=50; p=0,784) e nas mulheres entre adultas jovens (11,2%; n=19; p=0,001) e negras (8,1%; n=174; p=0,411). Em não negros(as) não houve associação com gênero e idade; nos(as) negros(as) predominou entre mulheres (8,1%; n=174; p<0,001) e adolescentes (10,2%, n=25; p=0,001).

Conclusões/Considerações
A ideação suicida associou-se ao gênero e faixa etária. Mulheres, adolescentes, adultos jovens mostraram-se mais vulnerabilizados. Esses achados indicam a necessidade de intervenções preventivas no campo da saúde mental focalizadas nesses subgrupos populacionais mais expostos. Proporcionar o acesso e a inserção desses indivíduos na Rede de Atenção Psicossocial é essencial para a prevenção do suicídio.